27
de
novembro
Ilha

Ao me orientar
aponto o braço direito
para o leste.
Então, porque na vida
tenho de ter um norte?
O ocidente, o sul…
Que sentido tais pontos
têm em minha lida?
Pois, se o Sol se vai ao findar o dia,
ilumina a Lua meus passos.
Ah! Pudesse eu voar,
deixar para traz
esta torturante ilha…
Ascenderia. E seus olhos
meus olhos buscariam.
Se eles os meus não vissem,
pois tão longe
estamos um do outro,
clamaria então o seu nome
por cima dos vales, rios e montes.
ari donato.2008


Comentário por andreia — 01/12/2008 (17:36)
Ari querido amigo, suas visitas em alto estilo, terno e delicadeza à redação só não são mais prazerosas que ler os seus versos. Esse poema vai entrar pra minha lista de favoritos! Me lembrou Fernando Pessoa em seus momentos de Alberto Caiero.
Comentário por ari donato — 01/12/2008 (18:16)
Andréia, suas palavras são doces e me alimentam a alma. Muito obrigado. A comparação com Pessoa muito me envaidece, mas, entrar para seus favoritos, minha amiga, isso me alegra muito mais.
Comentário por Lua — 10/12/2008 (0:58)
Para nos libertarmos das correntes, das nossas ilhas, precisamos de duas coisas apenas: amor e coragem.
Grande abraço e paz
Comentário por Lua — 10/12/2008 (1:10)
Quem disse que precisamos da dor para alçarmos vôos?
Grande abraço e paz.
Comentário por MONNA — 11/12/2008 (22:29)
Ari,
poetas são assim, vêem o que nem todos vêem e falam de coisas que nem todos conseguem falar. Seus últimos poemas, “Ilha” e “Vento” parecem interligados. Seria um alguém distante do poeta, ou um alguém distante de outro alguém, que não o poeta? Parece o primeiro caso e, aÃ, invejo o alguém distante.
Comentário por ari donato — 11/12/2008 (23:14)
Quem disse que dor não impede o vôo, ou que na vida não existe dor. E quem disse que alguém tem o dom de eliminar a dor, que não seja por meio de um processo demorado, da preparação da alma?
Que Deus esteja com você e, também, lhe dê a paz que me deseja.
Comentário por ari donato — 11/12/2008 (23:24)
Querida Monna,
não sou poeta, não me considero. Meus versos, ou o que penso serem versos, faço-os para abrandar minhas dores. Eles são, para mim, suspiros da minha alma. Sempre estamos distantes de alguém, pois nunca estaremos todos em um mesmo lugar. Estaremos sempre longe de alguém.