MODAS E VIOLA

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20

de
setembro

Tolerância na convivência


Foto com Wesley Sobrinho (D) dias antes do meu desligamento
da Redação de A TARDE | Foto Marco Aurélio/cedida

MAIS ALGUNS dias são passados, a emoção se esvanece e posso então avaliar racionalmente meu desligamento profissional da Redação de TARDE, oficialmente concretizado no último dia 9, após a homologação assistida pelo Sindicato dos Jornalistas, entidade que historicamente tem lutado para defender uma categoria politicamente desmobilizada.

Revi e reli as mensagens a mim dirigidas por quase a totalidade da Redação, vindas elas de todas as editorias e setores do jornal. Palavras de carinho para falar dos 31 anos em que trabalhei na Redação, de incentivo para novas jornadas e de definição da minha pessoa. Como me disse Flávio Oliveira, são o que levarei comigo, pois trazem a sinceridade dos colegas.

Agora, com a carga horária de trabalho diminuída certamente me sobrará tempo para, repetindo as palavras de Paixão Barbosa, valorizar a tranqüilidade e o sossego e aproveitar melhor a convivência com a família, enquanto me dedico a uma segunda vocação: tocar viola e fazer versos, cantando um pouco das serras e baixios de Guanambi.

Mas, com certeza, não me esquecerei, não me afastarei da primeira vocação, o Jornalismo, tanto que me voltei mais para as atividades profissionais na Assessoria de Comunicação do Tribunal de Justiça, onde, na década de 1990, por um período de oito anos, fui assessor-chefe. Assim, embora não mais na chefia, retomo as atividades de assessor.

E, para mais uma vez atender à expectativa do meu professor da Escola de Comunicação, quando estudei Jornalismo, e ex-chefe de Redação em A TARDE, Florisvaldo Mattos, não dou as costas à profissão, nem me rendo a uma aposentadoria que, embora pouco rendosa, chega de forma legal. Continuarei jornalista, mesmo que aprenda a tocar viola.

Passada a emoção das despedidas, posso rever lições aprendidas ao longo de todos esses anos, mais ainda aquelas captadas no período em que estive na coordenação de redação das Sucursais de Juazeiro, Barreiras, Feira de Santana, Santo Antônio de Jesus, Vitória da Conquista, Itabuna e Eunápolis, que expuseram minhas fraquezas e idiossincrasias.

Estando sob comando, a visão é específica, localizada; estando na chefia a percepção passa a ser geral, ampla, o que exige de quem dirige mais. Comandando e ao mesmo tempo sendo comandado foi para mim uma experiência proveitosa, que me ajudará na nova caminhada, em uma etapa em que a prática da tolerância precisa ser mais constante.

Aprendi que as diferenças, essas tais predisposições particulares do organismo, que fazem com que cada indivíduo reaja de maneira pessoal, quando estimulado, e geram em cada pessoa comportamentos peculiares, devem ser respeitadas. Percebi isso mais claramente durante os anos em que trabalhei com os mais novos, especialmente os estagiários.

O comportamento de cada um funcionava para mim como espelhos, pois, atento a uma ou outra falha que eu entendesse estivessem eles cometendo, mirava nelas para também corrigir-me, para ser coerente nas ações. Poderia até estar incerto na avaliação, é provável que meu raciocínio fosse enviesado, mas eu não poderia ser incongruente.

Colegas como Jair Fernandes, Wesley Sobrinho, Katherine Funke, Benedito Oliveira, Jane Fernandes, Regina de Sá, Fernanda Santa Rosa, Roberto Nunes, Luiza Torreão, Cleidiana Ramos, com os quais trabalhei diretamente, na condição de editor, no caderno Rural, nos plantões de finais de semana e na Agência A TARDE, ajudaram-me a entender que diferenças fazem parte da convivência.

Sei que a dor faz parte da vida, desde o nascimento à morte, e sei, também, e nos ensina o Livro do Eclesiastes (4:4-6), que o trabalho e a destreza na vida do homem são frutos da inveja que ele tem do seu próximo. Penso que, embora não se deva cruzar os braços, é melhor um punhado com tranqüilidade do que ambas as mãos cheias com trabalho e vão desejo. Amo A TARDE como fosse o primeiro amor, afirmar o contrário é mentir para mim. Mas, existe vida além da Redação.

© ari donato.2008

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